O treino estruturado, a nova época e o recomeçar constante

2022-01-13

O treino estruturado, a nova época e o recomeçar constante

Como o próprio nome indica, um treino estruturado, envolve uma estrutura, com principio meio e fim. No fundo é um plano que serve para guiar e sustentar o treino do atleta ao longo da época, permitindo identificar os períodos mais importantes do treino no ciclismo: o arranque, ou pré-epoca, o crescimento, a carga e a recuperação. No plano, devem constar os minutos de treino em determinado dia, o tipo de treino, a repetição de séries e o respectivo descanso, dias da semana e uma visão geral das próximas semanas.

É fundamental que o arranque, ou preparação, seja composto de treinos leves, com baixa intensidade e com muitas horas de treino, para preparar o terreno, onde vamos construir o nosso “prédio”.

Imaginem o seguinte: o terreno onde foi deitado abaixo um prédio velho. É preciso limpar o terreno, preparar, criar as fundações, fazer os alicerces e só depois construir e fazer os acabamentos.  

Olho para a pré-epoca sempre da mesma forma: fico um pouco triste e desiludido por perder tudo o que conquistei no ano anterior, mas avanço e supero. Esse é um passo importante. Avançar e superar. Admitir que se perdeu, para depois se conquistar. Uma nova época implica isso mesmo: começar tudo de novo, com esperança renovada. Conquistar passo a passo o que perdemos, mas tentar sempre melhorar, mesmo que dando o nosso melhor não chegue. Lembro-me tantas vezes da Mariza a cantar: “É preciso perder para depois se ganhar, E mesmo sem ver, acreditar” [...] “Sei que o melhor de mim está pra chegar”.

Com o avolumar de treinos, e crescendo a intensidade aqui e ali, com séries adaptadas aos nossos objectivos, fazendo crescer a potência, a explosão, o arranque, os sprints, o ritmo, a condição aeróbica ou anaeróbica e toda a complexidade que o ciclismo exige, começamos novamente a crescer e a despontar. Aqui já fazemos comparações com o ano anterior e começamos a perseguir recordes pessoais, muito por culpa do aumento da condição física e psicológica. Nesta altura, o plano estrutural, pensado à semana ou ao mês, torna-se ainda mais importante, já que nos vais dar a carga de horas semanais, que deve ser superior em 40 a 50% relativamente ao arranque.

Dependendo do atleta, dos seus objectivos e provas, o plano deve ter em conta, onde quando e como se vai atingir o pico de forma. Quando é que eu quero estar melhor? E é para isso que vamos trabalhar a época inteira, onde vamos atingir o nosso auge numa determinada altura, tarefa que deve ser feita em crescendo, de forma gradual, com treinos fortes que simulem a competição, mas que tem de ter em conta os períodos de recuperação, já que a carga e a intensidade não podem ser aumentadas “ad infinitum”.
A cada período de intensidade - por exemplo no espaço de uma semana -, em que a forma vai crescendo, deve ser dado um passo atrás e recuperar, baixando o volume e/ou a intensidade.
Antes de chegarem as competições temos de ter já definido no nosso plano as datas de provas, para que seja feito um crescendo de forma até lá, mas a semana anterior seja de menos carga, para que se assimile o treino feito e se entre em período pré-prova. A semana seguinte deverá ser também ela mais “leve”, para que depois se inicie o “ataque” a uma nova competição.
Depois de tanto treino e provas, inicia-se, ainda nessa época um retorno à normalidade, com cargas gradualmente mais baixas, até uma eventual paragem de uma a duas semanas, para que o corpo descanse e recupere energia. Esta fase, acontece após todas as provas, normalmente já perto do Inverno e dos doces do Natal, onde se deve aproveitar para engordar (quem pode) e repor velhos hábitos, onde impere a liberdade de comermos o que queremos e o que gostamos, porque em Janeiro temos de voltar a demolir o prédio “velho”, limpar o terreno, preparar, criar as fundações, fazer os alicerces e voltar a construir.

P.S. Para os atletas amadores, que trabalham para lá do ciclismo - para pagar contas, sustentar a família e este passatempo - esta tarefa deixa de ser difícil e passa a ser hercúlea.

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